Quando tudo
começou
Acredita-se
que a bebida alcoólica teve origem na Pré-História, mais precisamente durante o
período Neolítico quando houve a aparição da agricultura e a invenção da
cerâmica. A partir de um processo de fermentação natural ocorrido há
aproximadamente 10.000 anos o ser humano passou a consumir e a atribuir
diferentes significados ao uso do álcool. Os celtas, gregos, romanos, egípcios
e babilônios registraram de alguma forma o consumo e a produção de bebidas
alcoólicas.
A Embriaguez de
Noé
Em umas das mais belas passagens do Antigo Testamento da Bíblia (Gênesis
9.21) Noé, após o dilúvio, plantou vinha e fez o vinho. Fez uso da bebida
a ponto de se embriagar. Reza a bíblia que Noé gritou, tirou a roupa e
desmaiou. Momentos depois seu filho Cam o encontrou "tendo à mostra as
suas vergonhas". Foi a primeiro relato que se tem conhecimento de um caso
de embriaguez. Michelangelo, famoso pintor renascentista (1475-1564), se
inspirou nesse episódio pintar um belíssimo afresco, com esse nome, no teto da
Capela Sistina, no Vaticano. Nota-se, assim, que não apenas o uso de álcool,
mas também a sua embriaguez, são aspectos que acompanham a humanidade desde
seus primórdios.
O álcool através da história
Grécia e Roma
O solo e o clima na Grécia e em Roma eram especialmente ricos para o
cultivo da uva e produção do vinho. Os gregos e romanos também conheceram a fermentação
do mel e da cevada, mas o vinho era a bebida mais difundida nos dois impérios
tendo importância social, religiosa e medicamentosa.
No período da Grécia Antiga o dramaturgo grego Eurípedes (484 a.C.-406 a.C.)
menciona nas Bacantes duas divindades de primeira grandeza para os humanos:
Deméter, a deusa da agricultura que fornece os alimentos sólidos para nutrir os
humanos, e Dionísio, o Deus do vinho e da festa (Baco para os Romanos). Apesar
de o vinho participar ativamente das celebrações sociais e religiosas
greco-romanas, o abuso de álcool e a embriagues alcoólica já era severamente
censurado pelos dois povos.
Egito Antigo
Os egípcios deixaram documentado nos papiros as etapas de fabricação, produção
e comercialização da cerveja e do vinho. Eles também acreditavam que as bebidas
fermentadas eliminavam os germes e parasitas e deveriam ser usadas como
medicamentos, especialmente na luta contra os parasitas provenientes das águas
do Nilo.
Idade Média
A comercialização do vinho e da cerveja cresce durante este período, assim como
sua regulamentação. A intoxicação alcoólica (bebedeira) deixa de ser apenas
condenada pela igreja e passa a ser considerado um pecado por esta instituição.
Idade Moderna
Durante e Renascença passa a haver a fiscalização dos cabarés e tabernas, sendo
estipulados horários de funcionamento destes locais. Os cabarés e tabernas eram
considerados locais onde as pessoas podiam se manifestar livremente e o uso de
álcool participa dos debates políticos que mais tarde vão desencadear na
Revolução Francesa.
Idade Contemporânea
O fim do século 18 e o início da Revolução Industrial são acompanhados de
mudanças demográficas e de comportamentos sociais na Europa. É durante este
período que o uso excessivo de bebida passa a ser visto por alguns como uma
doença ou desordem. Ainda no início e na metade do século 19 alguns
estudiosos passam a tecer considerações sobre as diferenças entre as bebidas
destiladas e as bebidas fermentadas, em especial o vinho. Neste sentido,
Pasteur em 1865, não encontrando germes maléficos no vinho declara que esta é a
mais higiênica das bebidas.
Durante o século 20 países como a França passam a estabelecer a maioridade de
18 anos para o consumo de álcool e em janeiro de 1920 o estado Americano
decreta a Lei Seca que teve duração de quase 12 anos. A Lei Seca proibiu a
fabricação, venda troca, transporte, importação, exportação, distribuição,
posse e consumo de bebida alcoólica e foi considerada por muitos um desastre
para a saúde pública e economia americana.
Foi no ano de 1952
com a primeira edição do DSM-I (Diagnostic and Statistical Manual of Mental
Disorders) que o alcoolismo passou a ser tratado como doença.
No ano de 1967, o
conceito de doença do alcoolismo foi incorporado pela Organização Mundial de
Saúde à Classificação Internacional das Doenças (CID-8), a partir da 8ª
Conferência Mundial de Saúde. No CID-8, os problemas relacionados ao
uso de álcool foram inseridos dentro de uma categoria mais ampla de transtornos
de personalidade e de neuroses. Esses problemas foram divididos em três
categorias: dependência, episódios de beber excessivo (abuso) e beber excessivo
habitual. A dependência de álcool foi caracteriza pelo uso compulsivo de
bebidas alcoólicas e pela manifestação de sintomas de abstinência após a
cessação do uso de álcool.
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